Posted by Rogener on Jul 19, '07 10:03 PM for everyone

Este artigo foi escrito originalmente em 2006 para o jornal

"O Peregrino" de Ribeirão Preto.


O Esperanto é uma língua sem pátria, ou seja, o seu aspecto neutro e transnacional faz dela uma língua que é não é restrita a nenhum país. Mas ainda assim, os esperantistas usam uma palavra para descrever a “Pátria do Esperanto” – Esperantio. (ou de uma maneira mais saudosista: Esperantujo).

Quando falantes desse idioma de diversas nacionalidades se reúnem em algum encontro, evento ou congresso, costuma-se dizer que então aquele lugar se tornou momentaneamente a pátria do Esperanto.

Essa semana recebi uma correspondência sobre um encontro de jovens esperantistas que acontece todo ano na Hungria e que por sorte ou capricho do destino eu pude participar no ano passado. No verão europeu do ano passado, passei um mês na pátria do Esperanto.


            Entre julho e agosto de 2005 essa pátria começava na Finlândia, no Festival Cultural Esperantista, onde as manifestações artísticas realizadas através desse idioma, se mostravam vivas e envoltas de sentimento de universalidade único.

Depois o país se estendia até a Lituânia, um charmoso lugar que abrigava o 90º Congresso Universal de Esperanto. Com cerca de 2500 participantes, em qualquer lugar para onde se olhava se encontrava conterrâneos. 

Na 3ª semana, a pátria esperantista chegava até a Polônia, no Congresso de Jovens Esperantistas. Mais de 400 jovens transformaram aquela pequena cidade perto da fronteira com Eslováquia num mundo aparte.

Na última etapa de minha viagem, visitei a Hungria, numa semana de descanso e bate-papo informal num encontro do qual eu agora recebo um convite para participar novamente. E ele me faz relembrar bem sobre aquele verão, onde eu não fui apenas um turista e sim esperantista.

Talvez para alguém que nunca se deparou com uma situação de impossibilidade de comunicação por causa das barreiras lingüistas não possa compreender a necessidade de um instrumento perfeito e neutro como o Esperanto. Onde todas as bandeiras têm a mesma importância.

 Garanto que se não fosse o Esperanto esse senso de igualdade e respeito por todas as culturas e povos em mim não seria desenvolvido. Você já ouviu falar da Moldávia? E da Frísia? Já conversou com alguém da Bulgária, do Nepal ou da Sibéria, ou com todos juntos ao mesmo tempo? Sabe quantas línguas se falam na Espanha ou como se vive na Islândia?

 
            Essa porta o inglês não abre. Isso nenhum outro idioma nacional poderá oferecer. As impressões dessa experiência marcaram profundamente minha vida, e ainda hoje, um ano depois, as lembranças do ‘Esperantujo’ não me saem da cabeça e do coração.

 Rogener Pavinski
 05/2006

Attachment: A pátria sem fronteiras.pdf

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